8

Reencontro

“É fascinante como algumas pessoas tem um efeito tão grande sobre nós.

Podem passar-se dias, semanas ou até mesmo meses sem que estejamos com elas.

Mas quando reencontramos certas pessoas, que nalgum momento marcaram a nossa vida,

ficamos com aquele frio na barriga, perdemos até mesmo a fala por alguns instantes.

O coração acelera e sentimos um aperto no peito.

Inevitavelmente lembramos-nos de tudo o que um dia já foi vivido.”

Xana Ribeiro

(blog: Pensamentos Soltos)

5

Contigo.

“Ao teu lado tudo é perfeito, os problemas são mais fáceis de superar, a chuva é uma dança e a tempestade um brilho pertencente à vida.

Ao teu lado a música faz ainda mais sentido, quando danço no teu abraço e te canto uma canção que parece não ter fim. Nessa canção canto todas as minhas amarguras e deixo-me cair no esquecimento de todos os sentimentos pesados que me invadem e não me fazem prender-te em mim, mas perder-te.
Não quero afastar-me de ti, senão serei a cantiga amargurada que sozinha não é balada nem diversão.
Vem, abraça-me com esse sorriso que me faz acreditar que a vida é o que quisermos e que os nossos sonhos não têm fim.
Deixa-me permanecer aí até partirmos nessa viagem que ninguém conhece o seu destino.”

Carolina Cruz – blog Gesto Olhares Sorriso

sjdnklxakijd

5

Mãe.

“E encontrei-a finalmente, lá estava ela, a lápide que guardava para sempre o que restava da pessoa mais importante da minha vida: a minha mãe; na pedra de mármore a fotografia dela – com trinta e poucos anos, devia ser pouco mais velha do que eu neste momento – já amarelecida e desbotada pelo passar dos anos. Era a minha mãe: de longos cabelos grisalhos acastanhados; pele morena, lisa, suave e brilhante como a seda. E os olhos negros; o olhar intenso e forte; apaixonante e conquistador, que muita gente diz que eu herdei dela.

O meu pai dizia muitas vezes que era a forma mais subtil e ternurenta de o conquistarem: apenas como a minha mãe o sabia fazer tão bem, com um simples olhar.”

Ana Ribeiro, 2015

(blog: O Meu Blog de Escrita)

sjdnklxakijd

9

O homem e a borboleta

“Uma vez eu sonhei que era uma borboleta,
voando entre as flores e arbustos do jardim.

Tudo era tão concreto e real
que em momento nenhum do meu sonho
suspeitei que a borboleta era eu
ou que eu fosse a borboleta.

Para todos os efeitos possíveis e imagináveis,
eu era, eu agia e eu realmente me sentia uma borboleta,
cumprindo o destino de uma borboleta qualquer.

De repente, eu acordei
e lá estava eu, sendo a pessoa que eu sempre fui
– ou que sempre imaginei ser.

Sei muito bem
que entre um homem e uma borboleta
há tantas diferenças fundamentais e insuperáveis
que a transformação de um no outro
é algo simplesmente impossível de acontecer no mundo real.

É por isso que, desde então,
eu nunca mais tive sossego
quanto à minha verdadeira identidade.

Pois não há nada que me permita saber,
com toda certeza e rigor,
sem nenhuma margem de dúvida,
se eu sou verdadeiramente um homem,
que um dia sonhou que era uma borboleta,
ou se eu sou uma borboleta,
sonhando que é um homem.”

Chuang Tzu

sjdnklxakijd

14

Reflexões

“Olhas-me como se fosse o teu tudo,
tu sonhas com a mudança mas amas-me porque eu não mudo.
Andas à minha procura mas quando eu entro tu sais,
esperas-me eternamente, mas sabes que eu não venho mais.
Criticas-me por ser pesado mas sei que detestas  o que é leve,

a noite vence o dia como o fogo entra na neve.
Estás confusa, perdida, no caos de toda a ordem,
o mal completa o bem como a mulher completa o homem,
nesta vida o que se perde primeiro é a esperança,
já fomos a mesma criança, agora dançamos outra dança.
Sentimentos mal definidos ou certeza do que não se sente
balançando distorcido entre o frio e o quente.
(…)
Se há alguém a quem eu conto tudo esse é o meu caderno,
desejo o céu mas provoco, inocentemente, o inferno.
(…)

No fundo eu não sou nada,

mas todas as respostas que eu procuro,

eu encontro-as dentro de mim.”

Xeg – Intro 

(álbum Ritmo e Poesia)

sjdnklxakijd

10

Meu Lítio

“Meu lítio…

Já é madrugada. A Lua emana sua intensa luz sobre minha pele, ansiedade de você me consome, passo horas a fio pensando em você, em como e o que somos e nos tornamos.
A ideia de te perder me apavora, a distancia que nos separa me mata aos poucos, eu perdi o juízo, ou o que me restava dele. A sensação de não ter tua pele na minha quase me leva a loucura. A raiva de me sentir impotente perante a tua tristeza me entristece grandemente, meu coração foi abruptamente dilacerado, mas eu não sinto nenhuma dor.
A falta que a tua presença me faz é insana. Eu não sei o que estou fazendo e me sinto uma tola em ter agido da maneira que agi, eu não sei o que se passou nessa minha cabeça de vento, a única certeza que eu tinha era que eu queria ver você, olhar meu reflexo nesses teus lindos olhos, acariciar teu rosto e te chamar de “meu amor”. Joguei tudo pro alto e fui, a impulsão de querer você fez com que eu tentasse e me arriscasse de tal modo, por isso eu lhe peço perdão.
A culpa por fazer com que você se sinta mal me corrói lentamente, consome meu corpo e minh’alma. A esperança de ter você aqui comigo me faz viver, me faz menos infeliz. O lítio já não me faz mais efeito, as horas não passam, meu mundo perde a cor quando eu não tenho você comigo. Não há sorrisos, só lágrimas.
Ouvir tua voz é o que me sustenta, teu riso me restaura, sonhar com você me conforta. E é o que eu tenho por hora…”

Tatiane Martins

(blog: Unstable ‘n’ Writer)

sjdnklxakijd

23

As coisas simples.

“Restam as coisas simples. São as mais belas. Por exemplo o haver uma pessoa que goste de outra. Isto é o mais belo de tudo o que há no mundo por mais que se procure por todo o lado. O que é que quer dizer uma menina gostar de um menino ou um menino gostar de uma menina? Quer dizer: fazerem tudo um pelo outro. O tudo é que pode ser maior ou mais pequenino. E o que quer dizer um menino gostar de uma menina que também gosta desse menino? Isso é o fim do mundo.
De vez em quando, muito de vez em quando, há o fim do mundo. O mais engraçado é que ninguém nota.”

Pedro Paixão in “Histórias Verdadeiras”

sjdnklxakijd

49

Fogueira

“Como fogueira, queimamos
Consumindo um ao outro
Vagarosamente
Doendo, ardendo, derretendo
Nos unindo, transformando nossos corpos em uma única matéria
Assim nos amamos

Como fogueira, um dia apagaremos
Cinzas nos tornaremos
Mas não sem antes espalharmos fumaça por todos os lugares
Perpetuando assim
O aroma do que um dia fomos”

Stephanie Bertram

(blog: Devaneios de Papel)

sjdnklxakijd

28

Toda a gente critica

“Toda a gente critica o telemóvel do vizinho, mas no fundo toda a gente queria ter um igualzinho. Toda a gente grita: «todos diferentes todos iguais», mas se calhar há uns quantos bacanos a mais.Toda a gente quer ser solidária, mas na hora da verdade toda a gente desaparece da área. Toda a gente quer ser muito moderna, mas a tacanhez essa há-de ser eterna. (…)Toda a gente critica, toda a gente tem muita pica, mas é na mesa do café que toda a acção fica. (…)

Toda a gente fala da situação em Timor, muitos para ganharem algo, e muito poucos por amor. Há quem costume falar de revolução Mas a revolução não vai ser transmitida na televisão. Ela tem que acontecer dentro de cada um, caso contrário nunca chegaremos a lugar algum. Há quem queira resolver os problemas do mundo inteiro, de uma só vez, confiante, tal e qual um bom escuteiro. Mas enquanto se perseguem tão nobres ideais esquecemo-nos de limpar os nossos quintais. Tentamos combater todos os males da terra quando afinal é na nossa casa que começa a guerra. Toda a gente devia parar de falar olhar para dentro e agir.”

Da Weasel – Toda a Gente

sjdnklxakijd

73

Esquecer

“Não sonhas. Morres um pouco de manhã e ao meio dia quando o sol mais queima. Tens de continuar. Tens de esquecer. Não aguentas mais. Tens de acabar, matar, recomeçar a viver. Só que ela está presa por dentro e tu agarrado a ela por um nó da garganta e não sabes o que deves deitar fora, arrancar, vomitar para que ela te saia de dentro. Sais à noite com definitivos propósitos de não voltares sozinho. Compões dentro da cabeça uma mulher com um bocadinho disto e um bocadinho daquilo e esperas que bata certo. Levas um bocado de tecido rasgado e queres encontrar o todo. Mas não encontras ninguém. Pior, encontras alguém que te vem provar sem remissão que não a vais substituir tão facilmente porque não há nada no mundo inteiro depois dela senão um deserto de tempo que se estende à tua frente onde tudo se torna insignificante e pequenino. Começas a beber, a fazeres-te mal, porque estás triste e não acreditas em nada senão na dor. Queres morrer e não podes e nem sequer coragem tens para te matar. E quando ainda pensas poder voltar atrás, também sabes que não é possível voltar atrás porque tu estás num mundo e ela noutro, os dois que tão depressa se afastam, encerrados em planas fotografias em que estão abraçados e nus e já não somos nós.”

Pedro Paixao in “Nos Teus Braços ” , 1998

Dois meses de Alucinações da Alma

sjdnklxakijd